19 de setembro de 2018 - 16:49

Política

10/09/2018 11:52 www.globo.com

Meirelles diz que é preciso aprovar reformas ou aumentar tributos para corrigir tabela do imposto de renda

Candidato do MDB foi entrevistado nesta segunda (10) pelo G1 e pela rádio CBN. Ele também afirmou que, apesar de estar disputando a eleição pelo MDB, 'não está defendendo nenhum grupo político'.

Ex-ministro da Fazenda, o candidato do MDB à Presidência, Henrique Meirelles, afirmou nesta segunda-feira (10), em entrevista ao G1 e à rádio CBN, que pretende corrigir a tabela de imposto de renda se vencer a eleição presidencial, porém, condicionou a atualização à aprovação de reformas – como a da Previdência Social – ou ao aumento de tributos.

Meirelles também disse que, apesar de estar disputando a eleição presidencial pelo MDB – partido do presidente Michel Temer –, não está "defendendo nenhum grupo político". Ele não quis comentar a possibilidade de chamar o grupo político de Temer, que inclui, entre outros, os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Minas e Energia), para integrar um eventual governo Meirelles.

"Eu não estou defendendo nenhum grupo político. Não fiquei defendendo grupo político. Sou candidato do MDB. É um partido forte, símbolo da redemocratização brasileira, presente em todo o país", declarou.

"Vou formar um time de excelência. No momento em que for eleito presidente da República, a partir daí, eu vou começar a formar o ministério. [...] Vou considerar todos, mas pode ter certeza que vamos ter aquilo que vamos chamar de ministério dos sonhos dos brasileiros", complementou Meirelles, evitando dizer se o grupo de Temer estaria em seu eventual governo.

Antes de ingressar na política, Meirelles fez carreira como executivo da área financeira, tendo ocupado, inclusive, a presidência mundial do Bank of Boston. Em 2002, elegeu-se deputado federal por Goiás, mas não chegou a exercer o mandato parlamentar para comandar o Banco Central a convite do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2016, Meirelles assumiu o Ministério da Fazenda no governo Michel Temer, de onde saiu em abril para disputar a corrida pelo Palácio do Planalto.

Henrique Meirelles foi o quarto presidenciável a participar da série de entrevistas do G1 e da CBN com os candidatos à Presidência. Os presidenciáveis são entrevistados pelos jornalistas Cláudia Croitor e Renato Franzini, do G1, Milton Jung e Cássia Godoy, da CBN, e pelo comentarista Gerson Camarotti, do G1 e da CBN.

A tabela do imposto de renda não é atualizada desde 2016. Nos dois anos em que Meirelles comandou o Ministério da Fazenda no governo Temer, não ocorreu nenhuma atualização das faixas do imposto de renda. O Orçamento de 2019, proposto pelo governo ao Congresso, também não prevê reajuste na tabela.

O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco) aponta que a defasagem média acumulada na tabela de imposto de renda, desde 1996, é de 88,4%.

 

Questionado na entrevista ao G1 e à CBN sobre se, caso vença a eleição, corrigiria a tabela do imposto de renda, o presidenciável do MDB afirmou que "sim", mas impôs condições. Ele ressaltou que, para atualizar os valores das faixas da tabela de imposto de renda, é preciso fazer as reformas, principalmente, na Previdência Social.

"Devemos corrigir, sim, a tabela do imposto de renda, para fazer o ajuste inflacionário daqui para frente", enfatizou.

O ex-ministro afirmou que não atualizou a tabela nos dois anos em que esteve à frente da Fazenda porque o governo estava com um déficit de R$ 170 bilhões. Ele disse que não poderia diminuir a arrecadação com déficit, inflação e juros em elevação. "Então, a primeira prioridade foi diminuir o máximo possível esse déficit", justificou.

Segundo Meirelles, caso não sejam aprovadas reformas estruturantes como a da Previdência, seria necessário aumentar tributos para equilibrar as contas públicas e abrir espaço fiscal para corrigir a tabela de imposto de renda.

Indagado sobre a resistência que enfrentaria no Congresso Nacional se vencesse a eleição para aprovar mudanças nas regras previdenciárias, o candidato do MDB disse acreditar que conseguiria fazer as alterações na Constituição nos primeiros meses de governo.

Ele defendeu a proposta de reforma previdenciária que foi encaminhada ao parlamento pelo governo Temer, mas que acabou engavetada em fevereiro por falta de apoio da própria base aliada do presidente da República, especialmente, por conta da aproximação do calendário eleitoral.

De acordo com o candidato emedebista, a proposta original apresentada pelo governo é a "ideal", e a versão modificada pelo Legislativo é "acordo viável e positivo".

"A proposta que está lá [no Congresso] resolve o problema fiscal do Brasil e corrige essas injustiças básicas. Isso aí é o mínimo. Havendo possibilidade de melhorar ainda mais, certamente, nós vamos fazer", avaliou.

"Violência se combate com inteligência, antes de mais nada. Para isso, é necessário informação. Então, nós vamos criar e implantar, de fato, o Sistema Unificado de Informações de Segurança, centralizado em Brasília com a Polícia Federal, repartindo e dando informações e coletando informações de todas as polícias. Nós temos que mapear toda a ação do crime no Brasil e ter ações preventivas. Antes de mais nada, não podemos ter agentes prisionais numa madrugada pegos de surpresa, em menor número, e sendo superados por bandidos bem armados."

 

Prouni das creches

"Nós temos que dizer a verdade e tem, sim, que aprovar as reformas para que o país possa corrigir todos os demais problemas e ter recursos para investir onde deve. Não só corrigir a tabela de imposto de renda, mas muito mais do que isso. Nós temos que investir em segurança, temos que investir em saúde, temos que criar o cartão único universal para todos os brasileiros, de saúde. Nós temos que investir em educação. A minha proposta é de estender o Prouni para as creches, para permitir que as mães possam ir trabalhar e deixar a criança numa creche perto de casa, particular, se não existe pública, e que o Prouni possa pagar. Para tudo isso, é necessário ter recurso."

Falta de apoio no MDB

"Como já dizia o Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra. Então nós temos um partido diversificado, um partido que está presente no Brasil inteiro e onde eu tenho um apoio e tive os votos na convenção de 85%, que é maior vitória em décadas do MDB. Agora, 85% não são 100%. Não é unanimidade. Então é saudável em algumas áreas, e você mencionou alguns estados, que eleiotralmente têm um número menor de eleitores, que têm outra posição. Acho legítimo. E é bom até. Bom para traçar diferenças de biografias, inclusive. É muito importante ver as diferenças."

 

Reforma da Previdência

"O Brasil, com um presidente da República no início de mandato, no início de legislatura, entrando com uma proposta clara, esclarecendo toda a população, tendo vencido uma eleição direta, mostrando a verdade sobre a Previdência etc. É o empurrão que falta para a Previdência ser aprovada. Já avançou bastante, já passou na comissão especial, já está no plenário. Agora é uma questão de início do mandato dar uma empurrada, e isso tem toda condição de ser aprovada. Além da questão fiscal, é uma questão de justiça social (...) A proposta que apresentei [como ministro da Fazenda] é uma proposta que vamos chamar proposta ideal. A que está lá [no Congresso] é um acordo viável e positivo. Isto é, a proposta que está lá resolve o problema fiscal do Brasil e corrige essas injsutiças básicas. Isso aí é o mínimo. Havendo possibilidade de melhorar ainda mais, certamente nós vamos fazer."

 

Participação de Michel Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco em um eventual governo

"Essa resposta é muito simples. Eu não tomo decisões na véspera [...] Eu não tenho nomes na cabeça [...] Sou conhecido como alguém que escolhe times de excelência e não faço acordos antes da hora. Toda a minha história é: time de excelência, os melhores profissionais, mais adequados, e, no momento em que eu for eleito presidente da República, definida a eleição, o Tribunal Superior Eleitoral proclamar o resultado, a partir daí, sim, eu vou começar a formar o Ministério. Eu considero os nomes de todos os brasileiros, todos os 200 milhões."

Pinga-fogo

É a favor da adoção de crianças por casais homossexuais?

Sim

Vai limitar a entrada de venezuelanos?

Não

É a favor do imposto sobre grandes fortunas?

Sim

É a favor da permissão do aborto em casos de estupro?

Sim

É favorável ao voto obrigatório?

Sim

É a favor do ensino religioso nas escolas?

Nas escolas religiosas, sim. Não nas escolas laicas

É favorável à cobrança de mensalidade nas universidades públicas?

Complexo definir, então, não

É favorável à diminuição da maioridade penal para 16 anos?

Não

É favorável à taxação de igrejas?

Não

Defende a intervenção militar na segurança nos estados, como no Rio?

Em casos de absoluta necessidade, quando solicitado pelo governador, sim, como no caso do Rio. Porque lá o governador confessou a impossibilidade de cuidar da segurança


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